
Olá novamente papais e mamães interessados na vida sexual de seus filhos!
Sim sim... podem ir se acostumando com a idéia de que seus filhos possuem vida sexual sim, pois isso faz parte do ser humano desde sua concepção.
Pelo visto "Falando de Sexo com Filhos - Parte 1" já deu o que falar. Agora venho com mais novidades sobre como falar com seus eternos bebês. Pois é, para muitos pais e mães seus filhos(as) não passam de eternos bebês do papai e da mamãe. Porém, é necessário que essa idéia comece a sofrer mudanças se você pretende encarar seu filho(a) para um papo sério no futuro sobre suas aventuras sexuais. Ou, você pode simplesmente ignorar e ficar a parte da vida de seu filho(a), permitindo que ele(a) vá buscar informações muitas vezes erradas, pois não obtiveram orientação em casa. A escolha é sua!
Mas vamos lá... no texto anterior, foquei um pouco mais na formação da personalidade da criança quando bebê. Como lidar com essa criança que está começando a tomar consciência do corpo, a responsabilidade dos pais na formação deste pequeno ser, bom... quem quiser reler o texto antes de prosseguir para relembrar, fique a vontade.
Hoje pretendo falar um pouco da criança quando começa a construir sua imagem corporal e ter noções mais específicas da diferença entre o corpo do homem e da mulher. Isso pode começar a ocorrer a partir dos 2 anos mais ou menos. Até então, ela não tem noção de que existe uma diferença, pois na cabecinha dela todos são iguais. Até que um belo dia ela começa a ver que o corpinho dela é mais parecido ou com o do papai ou com o da mamãe. Por isso que é importante o banho junto com os pais nessa fase, para que ela possa começar a criar a identificação como menina ou como menino corporalmente.
Ou seja, se for menino ele vai perceber que possui uma coisinha pendurada que pode ser igual do papai, mas ainda não é do tamanho do papai. Aí já começa a rolar uma dúvida. Já a menina começa a perceber que parece mais com a mamãe. Mas se o papai possui uma coisa pendurada, onde foi parar a dela? Esse "evento" Freud chamou de Complexo de Castração. Mas isso é uma looonga história.
No final do texto "Falando de Sexo com Filhos - Parte 1", citei como os pais devem agir perante os filhos enquanto eles se estimulam no pênis ou na vulva. A questão de fazer em um lugar com mais privacidade, de não punir a criança durante este momento de descobrimento do corpo... e gostaria ainda de acrescentar algumas coisas.
Aproveitando essa fase onde seu filho(a) está se descobrindo, ensine que as suas partes íntimas só podem ser tocadas por ele mesmo(a), por seus pais ou pela pessoa responsável por ajudá-lo(a) a se limpar. Que nenhuma outra pessoa pode tocar, assim como ele(a) também não deve tocar as partes íntimas de outras pessoas. É um bom momento para ensinar limites, privacidade e respeito pelo outro.
Bom... vamos passar então para a próxima fase: aquela onde todo pai e mãe gostaria de se transformar em um avestruz para enfiar a cabeça uns 5 metros embaixo da terra. A fase das perguntas... siiim... as terríveis perguntas. Antes de começar a orientar como os pais devem responder, gostaria de fazer um adendo aqui: excelentíssimos senhores pais e mães de plantão, cuidado ao responderem as perguntas de seus filhos(as). Quando a criança lhes pergunta algo, abstenham-se apenas ao que ele(a) está perguntando. Não queiram a partir de uma simples pergunta como: "De onde vem os bebês?", dar uma aula de educação sexual incluindo ciclo menstrual, exame de próstata, nem nada disso. Vamos com calma!!
Pergunta: "Mamãe... de onde vêm os bebês?"
Resposta: "Pergunta para o seu pai."
Pergunta 2: "Papai... de onde vêm os bebês?"
Resposta 2: "Pergunta para a sua mãe."
Se vocês fossem essa criança, o que estaria passando pela sua cabeça?? Ou "a minha pergunta não tem importância para os meus pais, consequentemente o que eu falo não têm importância" e assim essa criança vai crescer tendo dificuldades em se impor, em questionar e se posicionar, tendo como característica a insegurança. Ou "esse assunto é cabeludo demais para os dois, quer dizer que deve ser algo importante e proibido". Percebem como a cabecinha da criança pode criar e fantasiar muito mais do que aquilo que imaginamos?
Ou seja, não fiquem jogando o assunto um para o outro como se estivessem brincando de batata quente (quem se lembra dessa brincadeira de escola??). Para que isso não ocorra, é importante haver diálogo entre o casal para que cheguem num consenso de como será a educação sexual do filho de vocês. Como irão lidar com tudo, como irão responder, e o mais importante, os DOIS devem responder. Não é para conversar e chegar num acordo onde apenas um vai falar sobre sexo. Dessa forma a criança vai perceber que existe um tabu sobre o assunto, e ela precisa saber que pode conversar de sexo tanto com o papai quanto com a mamãe.
Ah sim, e se por um acaso algum dia, a criança fizer uma pergunta que você não saiba responder ou no momento travou, diga a ela que não sabe a resposta, mas que vai se informar para depois então explicar para ela. E vá se informar mesmo, não deixe a criança sem resposta. Não demore dias para voltar no assunto, senão ela entra naquelas mesmas fantasias que expliquei anteriormente de que suas questões não são importantes...
Primeira coisa: através das perguntas, os pais podem aproveitar para explicar um pouco mais sobre o corpo do homem e da mulher e utilizar os nomes adequados. Não me venham com bebês são trazidos pela cegonha, isso pira o cabeção de qualquer um. Vou citar alguns exemplos, e qualquer dúvida que for surgindo vocês me procurem.
1) De onde vêm os bebês?
R: De um lugar muito especial dentro da mamãe que se chama útero.
E parem por aí!!! Se a criança só te perguntou de onde vem os bebês, não precisam ainda explicar como eles foram parar lá ou como são feitos. Ela só quis saber de onde eles vem. Se a criança prosseguir com as perguntas, você prossegue também. Existem crianças que ficam satisfeitas por hora com essa resposta. Vão pensar a respeito, refletir e num outro dia voltam com mais perguntas. Outras podem querer saber mais, até mesmo porque podem ter ouvido mais por aí. Caso seu filho(a) seja um Joãozinho da vida (que quer saber tudo), prepare-se para os bombardeios de perguntas que irão se seguir.
2) Como o bebê vai parar lá?
R: Quando um homem e uma mulher se amam, eles querem ficar juntos, querem fazer carinhos um no outro para mostrar que se gostam, e resolvem ficar juntos. Dentro do homem existe uma sementinha chamada espermatozóide, e dentro da mulher existe um ovo que se chama óvulo. Quando o espermatozóide do homem encontra com o óvulo da mulher, acontece uma coisa que se chama fecundação, que é quando se cria um bebezinho bem pequenininho na barriga da mamãe e ele fica lá durante 9 meses crescendo até nascer. Foi assim que aconteceu com seu pai, com a sua mãe, com você e com todas as pessoas.
Percebem como a resposta pode ser simplificada e não complicada. É possível que a criança entenda de forma simples, sem cegonha, fralda, bico. Isso tudo cria fantasias mirabulosas dentro da cabeça de uma criança. Quando você explica com os nomes, ela já vai aprendendo e se acostumando, assim quando estiver nas aulas de biologia da escola não tem porque ficar roxa de vergonha ao ouvir a palavra espermatozóide. Não se preocupem, pois não é nada traumatizante para a criança saber como realmente acontece a relação sexual e os nomes. Lembrem-se aquilo que já falei antes: a malícia está na cabeça dos adultos, a criança não tem noção de nada. Imaginem que vocês estivessem escrevendo em um livro que está com as páginas totalmente em branco. É assim a cabeça da criança. Ela não tem nenhum "pré-conceito" ou idéia formulada a respeito. Por isso que é importante que os pais comecem os ensinamentos em casa ao invés de irem buscar fora.
3) Como que o espermatozóide (ou sementinha, vai de acordo como a criança aprendeu) vai parar dentro da barriga da mamãe?
R: Novamente... quando um homem e uma mulher se amam, eles fazem carinhos, se beijam, se tocam e querem ficar juntos. Quando os dois estão juntos e estão gostando muito, o pênis do homem fica duro e maior do que é normalmente. E a vulva da mulher fica molhada com um liquidinho. Nesse momento eles ficam bem juntinhos e abraçadinhos e o homem coloca o pênis dentro da vulva da mulher com muito carinho. Continuam se abraçando, se beijando e se movimentando até que acontece um momento muito especial, onde sai do pênis do homem um líquido que se chama sêmen, e nesse líquido existem vários espermatozóides. E esses espermatozóides vão se encontrar com o ovo da mamãe para fazer um bebê.
A partir dessa primeira conversa, com certeza surgiram muitas outras perguntas. Mas para um início de conversa por enquanto está bom.
Não tenham medo de responder aos seus filhos. Eles estão descobrindo o mundo e só querem respostas. Imaginem como fica a cabecinha deles com tantas coisas e informações ao mesmo tempo. O cérebro é uma esponja, e é melhor que cresçam com as resposta e orientações certas, do que busquem em lugares um tanto quanto duvidosos. A malícia está na cabeça dos adultos. Se essas crianças não forem bem orientadas desde o início, vão rolar várias dúvidas e comportamentos as vezes inadequados. Portanto, não fiquem com medo de que dando as informações corretas aos filhos(as), eles estarão sendo incentivados ou instigados sobre o sexo. Pelo contrário, com as informações corretas e as dúvidas sanadas o nível de ansiedade e curiosidade diminuem. A partir do momento que qualquer dúvida que ele(a) tiver, ele(a) sabe que pode contar com os pais, o sentimento de segurança será reforçado, e consequentemente essa criança se sentirá muito mais segura. Quando não há respostas, cria-se uma ansiedade para saber porque não existem respostas dos pais, juntamente vem a curiosidade em saber o que há por traz que eles não querem contar. Aí sim instiga para buscar mais o sexo. Dar informações nada mais é do que muito saudável!!!
Quando você dá informação, você dá amor ao seu filho!!!
Ainda tem muito assunto pela frente... volto em breve...
Beijos
Dany Calla Lilly

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