
Era uma vez uma linda princesa que morava num lindo castelo e possuía uma linda carruagem própria. A princesa era muito feliz em seu reino e todos ao seu redor gostavam da simpatia e carisma que emanava de seu sorriso.
A princesa era muito querida por todos. Sempre cordial, respeitosa, sorridente, alegre, educada assim como o rei e a rainha ensinaram e educaram.
Num belo dia, a princesa combinou de sair para jantar com o rei e rainha de outro reinado mais distante e que estavam passando de visita pelo vilarejo. Resolveram comer uma comida japonesa, pois há muito tempo o rei não saboreava um peixe cru.
Muito bem... a princesa milagrosamente chegou ao restaurante antes do casal (pois tinha fama de se atrasar). E como uma mulher linda e independente que é, resolveu entrar no restaurante, escolher uma mesa apropriada e se sentar aguardando ansiosamente o casal que não via há meses.
Ao adentrar ao restaurante, notou que as pessoas a olhavam com um certo olhar parecido com aqueles de julgamento. Mas... como o rei e a rainha ensinaram que ela não deve se ater pelo que os outros pensam ou falam, continuou seu caminho e sentou-se sem se preocupar.
Graciosamente sentou-se, e esperou. Resolveu retornar algumas ligações atrasadas já que sua semana foi um tanto quanto tumultuada. Enquanto aguardava, esperou para ver se algum funcionário do restaurante iria atendê-la oferecendo algo para beber ou até mesmo uma entrada.
Passou-se 1 minuto, 2 minutos, 3 minutos, 5 minutos, até que 10 minutos depois e nada. Ela começou a achar que algo muito estranho poderia estar acontecendo. Por que os garçons passavam por ela e nem sequer a olhavam? Começou a achar que poderia ter esquecido o desodorante, estava suja ou quem sabe ao descer de sua carruagem pisou em algo inadequado esquecido por algum cavalo no caminho?
Observou sua sandália e nada, tudo limpo. Discretamente deu uma analisada nas axilas e tudo Ok também. Não era possível, o que poderia estar acontecendo? As pessoas a olhavam com um tom de pena e desconfiança. Foi aí que resolveu colocar a igualdade dos sexos à prova.
Com toda sua doçura de olhar conseguiu atrair um garçom para recebê-la. Afinal, ela já havia montado duas mesas, três cadeiras, acendido uma churrasqueira e assado churrasco sem necessitar de algum de seus servos ou príncipe. Por que então não conseguiria ser atendida? E imagine que a mesa do salão oval é das grandes!!!
Muito bem... quando o garçom se aproximou, a princesa sorriu e desejou boa noite com a doçura de sempre. E ficou impressionada, para não dizer chocada, estarrecida, espantada com a atitude do garçom quando abriu a boca para dizer as primeiras palavras (no desejo dela: que fossem as últimas) da noite:
- Vai jantar sozinha hoje?
Gostaria de nesse momento poder fazer um adendo à sua imaginação e à história: junte nesta frase uma tombada de cabeça para o lado direito, uma franzida no nariz, uma meia piscada do olha esquerdo e claro que não poderia faltar aquele tom de voz… sabe aquele tom inquisidor? Igual quando sua mãe perguntava a respeito daquela prova que você fez questão de esconder e falsificar a assinatura para a escola...
Pois bem... perante esta pergunta nada cabível naquele momento, a princesa percebeu o que talvez estivesse acontecendo. O problema do garçom e de todos ao seu redor, seria o fato de que aquela linda princesa estaria adentrando o recinto sozinha. Como se isso fosse algum tipo de problema ou constrangimento para ela.
Com a educação que o rei e a rainha lhe deram desde seu berço de ouro, a princesa olhou para aquela pessoa em pé ao seu lado, sorriu e disse gentilmente:
- Por enquanto sim!!
No fundo, a vontade da princesa seria perguntar se haveria algum problema em jantar sozinha. Porém... não quis dar continuidade à conversa. Desta forma, apenas pediu uma bebida e novamente foi simpática com aquele que a julgava. Momentos depois, o casal que a princesa estava aguardando chegou e se juntaram para uma longa noite de boas risadas.
Moral da História:
1) A educação é bem vinda em todos os nossos momentos da vida, mesmo quando o outro está julgando ou apontando o dedo para você. A humildade pode ser mostrada através de um sorriso e de um simples olá.
2) Estar sozinha(o) em um ambiente social, não quer dizer que se sinta sozinha(o). Então... por que o preconceito com aquele que enfrenta e não tem medo de olhares reprovadores ou julgamentos limitados? A solidão está dentro de cada um. Se você sente solidão, provavelmente ainda não encontrou o seu eu interior e não entrou em contato com seus sentimentos verdadeiros. Podemos estar sós fisicamente, sem algum amigo presente naquele momento. Porém, podemos nos sentir cheios e repletos quando encontramos a paz interior. Muitas pessoas podem estar rodeadas de gente a todo o momento, com a casa cheia, porém podem ter a solidão como a única companheira. Nesse ponto, pergunto:
- Quem está só? A princesa no restaurante ou o anfitrião com a casa cheia e o coração vazio?

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