
Semana passada estreou no Brasil e no resto do mundo o filme baseado no livro “Comer, Rezar, Amar”. Confesso que ainda não assisti ao filme, mas muitos pensamentos e reflexões ficaram quando terminei o livro.
Hoje é muito comum encontrar pessoas que pelo menos uma vez na vida, ou às vezes até mais, já sofreram pela perda de um grande amor. Quanto mais o tempo passa, mais nos deparamos com frustrações, amores perdidos, traídos, corações partidos e desacreditados da felicidade e do encontro de uma nova paixão.
Isso me faz refletir até hoje, principalmente depois de ler o livro, a respeito de como as pessoas se recuperam e buscam enfrentar a dor de um dia terem entregado seu amor e coração a uma pessoa e não ter dado certo. Como juntar os cacos de um coração que um dia foi inteiro? Será que um dia este voltará a ser igual e conseguirá amar outra vez?
A resposta é simples... voltar a ser igual? Nunca! Se tornar melhor? Com certeza! Mas tudo depende da forma como este foi tratado. Será que a fórmula realmente é substituir um antigo amor por um novo amor, como muitas pessoas acreditam ser e acabam colocando em prática? Ou será que como a personagem do livro, a fórmula seria viajar durante meses em busca de si mesma?
Substituir um amor pelo outro, nunca poderá ser a solução, pois essa substituição acaba se tornando um vício, e nunca o novo amor será perfeito e completo enquanto se comparar com o antigo amor. Para se ter um novo amor, é importante enxergar o que se deve mudar e melhorar nas atitudes, pensamentos e sentimentos que talvez possam ter sido inadequados para que o antigo não tenha dado certo.
Sim, nós mesmos também erramos. Mas sempre é mais fácil colocar a responsabilidade da frustração e do insucesso do relacionamento no outro. Ou seja, não deu certo porque o outro(a) não me deu amor. Ou não deu certo porque o outro(a) não me deu atenção ou porque não dobrava as roupas como eu queria. Okay, mas e o nosso papel dentro de cada relacionamento??
Um relacionamento é feito de duas pessoas as quais ambas possuem 50% de participação e comprometimento. E refletir sobre os próprios 50% muitas vezes causa dor, decepção e frustração. Mais até do que o rompimento em si, pois nos deparamos com nós mesmos e com nossas falhas e erros. E passamos a nos enxergar como seres imperfeitos que somos.
Muitas pessoas falam que o relacionamento não deu certo. E uma vez li e achei muito interessante, que o relacionamento deu certo sim, durante o tempo que estiveram juntos. Caso contrário não teriam ficado juntos durante determinado tempo. Pensar dessa forma, ajuda a tirar o peso de algo que deu errado como sendo algo negativo. E assim fica mais fácil entender que aquele relacionamento foi feliz enquanto durou. E deu certo durante o tempo que deveria ter dado.
Na verdade onde quero chegar é, a na forma como a personagem do livro “Comer, Rezar, Amar” lidou com a dor do fim do casamento e divórcio. Claro que nem todo mundo tem a possibilidade de simplesmente largar tudo e sair viajando. Quem tiver, ótimo! Mas quem não tem, deve desenvolver formas de poder lidar com a dor vivendo a mesma vida e freqüentando os mesmos lugares e muitas vezes o mesmo grupo de amigos que antes.
A busca pelo autoconhecimento, a espiritualidade, o encontro com si mesma foram o que marcaram o livro. A busca do entendimento e consciência para que então ela pudesse encontrar novamente um novo amor, muito mais amadurecida e segura de si mesma.
Quando este encontro com o eu interior que está dentro de cada um de nós acontece, a vivência da vida, dos problemas e da felicidade é muito mais equilibrada. Pois junto vem o entendimento de que a felicidade está dentro de cada um de nós, e não no outro.
Acredito não ser a primeira vez que falo isso, mas enquanto as pessoas buscarem a felicidade e o amor no outro, essa busca sempre vai ser incompleta, pois nunca irão encontrar. A felicidade este dentro de cada um de nós. E o amor, é na verdade o amor que sentimos pela vida, por nós mesmos e que depois pode ser compartilhado com o próximo. Mas que na verdade está dentro de próprio coração!
O outro nunca poderá suprir a carência e expectativas internas criadas e cultivadas por cada um. O outro deve ser um companheiro que caminha junto, e não o responsável pela felicidade. Quando as pessoas passarem a entender este conceito e buscarem o autoconhecimento, a paz e o equilíbrio interior, talvez os relacionamentos passem a durar mais tempo. Pois estes passarão a ser baseados em companheirismo e não em obrigação!