
Usar camisinha como muitos ainda acreditam é como chupar bala com papel. Com essa visão distorcida do que a camisinha pode fazer pela própria pessoa, muitas doenças sexualmente transmissíveis estão se disseminando não somente entre os jovens, mas entre toda a população mundial.
Não só isso, mas além das DSTs ainda temos a gravidez que também é resultado da falta de uso de qualquer tipo de anticoncepção. Inclusive, o Brasil é o país pioneiro em adolescentes grávidas. Ao mesmo tempo, as pesquisas mostram o grande número de mulheres que fazem uso de pílulas do dia seguinte. Ou seja, se está sendo necessário fazer uso de pílulas do dia seguinte, isso quer dizer que não estão fazendo uso de nenhum tipo de contracepção como pílulas regulares, camisinha e outras formas de proteção existentes no mercado.
Perante essas informações vem a pergunta que não quer calar: por que então é tão difícil para as pessoas criarem consciência da necessidade do uso de proteção na hora da relação sexual?
Campanhas e mais campanhas são feitas há mais de 20 anos para criar consciência entre as pessoas da necessidade de se protegerem contra doenças sérias que são transmitidas através do sexo. Nota-se entre os jovens o famoso sentimento de super-homem ou mulher-maravilha de que com eles(as) não acontece. Ou seja, posso fazer sexo mas nunca vai acontecer nada comigo. Pode acontecer com o meu amigo, mas comigo não, pois sou protegido(a) por uma força imaginária que repele as doenças. Okay... sei...
Existe também a crença de que a iniciativa do uso de camisinha deve partir do homem. Já é possível ver algumas mulheres tomando iniciativa e exigindo camisinha no ato sexual. Mas ainda assim, muitas têm vergonha de pedir para o parceiro com medo de que possam ser julgadas de alguma forma por pensarem na própria saúde.
O que deve ser feito então para que as pessoas finalmente criem consciência que devem se proteger e cuidar da própria saúde? Não apenas contra DSTs, mas até mesmo se protegerem de gravidez indesejada. Quantas jovens engravidam não apenas uma, mas duas vezes em um curto espaço de tempo? Por que é tão difícil as pessoas pensarem que podem fazer uso de anticoncepcionais ao invés da solução prática e rápida que é o uso de pílula do dia seguinte, que na verdade é uma dose cavalar de hormônio?
Acredito que a solução não são mais campanhas alertando dos riscos, mas sim uma mudança de comportamento e atitudes perante o sexo que podem ser iniciadas pelos próprios pais. Nesse momento você deve estar pensando, como assim dos pais?
Sim sim... dos pais, a partir de uma educação sexual em casa mais atenciosa, mais educativa, mais próxima e que deve ser iniciada mais cedo. Muitos pais deixam para falar com os filhos sobre sexo quando esses já são adolescentes e com certeza já procuraram tudo que podiam e não podiam na internet e com os amigos. Depois que a curiosidade está a flor da pele e os hormônios então... nem se fala!!
Quando os pais se mostram próximo dos filhos e passam a explicar a respeito das mudanças corporais, da diferença de sexo feminino e masculino, do que é namorar e falam abertamente sobre sexo e mostram-se acessíveis aos filhos para tirar qualquer dúvida, a curiosidade e a ansiedade a respeito do sexo diminui respeitosamente. Inclusive explicar a importância e como devem se proteger faz com que quando essa criança vai para uma relação sexual da vida jovem ou adulta, o uso de camisinha e anticoncepção já vai fazer parte do seu inconsciente. Diferente daquele que não teve muita informação e está com o corpo tomado de ansiedade e o uso de camisinha passa a ser uma parte secundária da relação, sem a importância que deve ter. E que depois do ato é que essa pessoa vai pensar nas conseqüências.
Ou seja, para se mudar esse comportamento que temos observado principalmente entre os jovens e para que as pessoas criem consciência das conseqüências do sexo sem proteção, basta que as pessoas saibam da importância da educação sexual infantil. Não apenas para proteção, mas para que cresçam adultos que conhecem seus corpos e não tem medo de serem felizes e viverem sua sexualidade de forma plena e principalmente: sem culpa!!

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