Assim como nos últimos 10 anos, esse ano não poderia ser diferente... começo de ano significa mais um Big Brother Brasil. Pois é, novamente estamos de frente com a casa onde ficam pessoas presas por não sei quanto tempo, provenientes de não sei de onde mas que com a velocidade de um raio passam a ser conhecidas pelo Brasil inteiro.
Esse ano, porém, é possível observar uma pequena diferença nos participantes. Okay, pequena não, grande diferença. Anteriormente o programa procurava pessoas totalmente anônimas, desconhecidas e “normais” para fazerem parte e terem os seus 5 segundos de fama. Agora, é possível observar que essas pessoas não são tão “normais” assim. Não sei quantas já são modelos, outra era dançarina de grupo de Axé famoso, outro tem banda não sei do que e por aí vai. Ou seja, a maioria parece meio que estar envolvida com o meio artístico. A exceção de dois ou três gatos pingados.
Além de já possuírem contatos, é possível observar outro pequeno detalhe que chama MUITA atenção nesses novos participantes: os corpos sarados. As meninas mais parecem tanajuras, o que não nega a origem brasileira. Claro que algumas não seguem exatamente o mesmo padrão, mas a maioria sim. E os meninos, vamo conversa que são de tirar o fôlego também. Principalmente quando levantam a camisa para tomar um banho de piscina só de sunguinha. Ai ai...
Okay... passou... passou... Bom, mas o que quero dizer é que cada vez mais a mídia bombardeia a cabeça das pessoas “normais” com padrões de beleza que não são comuns na vida cotidiana. Ou seja, cada vez mais as pessoas ficam infelizes com a própria aparência em relação àquelas que vêem na televisão como se fossem super corriqueiras, quando que na verdade o padrão é diferente.
Essa infelicidade causa frustração e conseqüentemente faz com que as pessoas busquem suprir esse vazio com compras muitas vezes desnecessárias ou outras formas inadequadas de acharem que se sentem felizes. Ao mesmo tempo que se vê na televisão esses padrões de beleza, se vê o merchandising de uma televisão legal, uma geladeira, um refrigerante que as pessoas “legais”, cools e bonitas usam. Ou seja, se eu usar esses mesmos produtos que eles, quem sabe não vou ser mais feliz?
Muitas pessoas infelizmente por pressão da sociedade acabam tendo esse tipo de pensamento e crença. O que as torna cada vez mais depressivas com a realidade. Mas na verdade porque estou falando nesse tema hoje?
Ontem assistindo a mais uma eliminação do programa, fiquei pensando qual seria a forma de julgamento do “público” para votar em tal ou tal pessoa. Ontem tinham dois homens considerados bonitos pelo público e reforçados a todo momento por outras pessoas da casa de suas belezas. Então questionei, “se os dois são considerados bonitos, o que vai fazer um sair e o outro não?”.
Como resultado, o mais bonito (ui) e mais quieto da casa foi o que ficou. Agora, será que se uma pessoa que não tivesse os mesmos atributos físicos que esse moço, mas o mesmo comportamento será que ele também ficaria ou a beleza dele ajudou no momento da decisão?
Sendo assim questiono mais ainda: no cotidiano, o quanto as pessoas consideradas “bonitas” são mais privilegiadas do que as consideradas “feias”? Será que existe diferença no tratamento? E por quê? Apenas pelo visual ou pelo comportamento? E quem dita esse padrão de beleza, aquele que julga ou aquele que é julgado? Ou os dois? E isso é consciente ou está tão intrínseco em nossa vivência que se tornou inconsciente?
Afinal, beleza realmente não se põe à mesa?