quinta-feira, 26 de maio de 2011

Solidão Contente - Ivan Martins



Por que será que muitas pessoas ainda acham que ao ver uma mulher sozinha, que esta pode estar triste? Nunca se perguntaram se por um acaso ela é mais feliz por estar sozinha? Que associação existe na cabeça das pessoas que diz que ser feliz é estar com alguém? Por que ir ao cinema sozinha, jantar num restaurante sozinha ou curtir a casa na companhia dos próprios pensamentos aterroriza tanto as pessoas? E se é tão difícil assim, por que então julgar ou criticar aquelas que conseguem realizar tais feitos?

No texto Solidão Contente, o editor-executivo da Revista Época coloca através da sua visão de homem, a capacidade feminina em ficar sozinha e ser ao mesmo tempo feliz. Como ele aprendeu a entender e respeitar o espaço das mulheres. Acho importante ressaltar que não são todas que gostam e principalmente que conseguem ficar sozinhas com seus próprios pensamentos, medos, inseguranças e experiências.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI149563-15230,00.html

terça-feira, 24 de maio de 2011

Individualismo e Sexo

Em entrevista a Folha de São Paulo, o médico e sociólogo alemão Volkmar Sigush fala um pouco sobre sua visão a respeito da sexualidade inserida num mundo individualista e consumista. Vale a pena dar uma olhada num ponto de vista que reflete sobre as consequências da "liberdade sexual":

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/895520-individualismo-impede-pleno-desfrute-do-sexo-diz-sociologo.shtml

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Texto Rita Lee

Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.


Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente; esqueceu, morrendo tuberculosa.


Estes episódios marcaram para sempre e a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres?


Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba.


Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens. E, com isso, Barbies de facaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composta de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do minismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.


Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência. As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto.


Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência. É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.


São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer à ternura de suas mentes e a doçura de seus corações.


"Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda."