domingo, 12 de fevereiro de 2012

Viagra Genérico




Autora: Andrea Alves




Notícia publicada na edição de 03/02/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno Ela -03/02/2012 USO ABUSIVO



Praticamente pode-se dizer que o citrato de sildenafila - popularmente conhecido como Viagra - vem mudando o comportamento do mundo. Para o bem ou para o mal? A discussão vai longe sem que se chegue a uma conclusão precisa, talvez. A verdade, porém, é que depois da transformação causada pelo próprio Viagra, pode vir aí outra revolução no comportamento sexual humano: dos genéricos, que por si só é sinônimo de medicamento mais barato ao alcance de todos. Desde que acabou a patente do Viagra, em junho de 2010, fabricado pela Pfizer, outros laboratórios estão produzindo e comercializando o medicamento que originalmente é voltado ao tratamento da disfunção erétil. E é assim mesmo que esse citrato, ou o já popular viagra genérico, é tratado: não como medicamento, mas sim como artigo de consumo. Embora seja visto equivocadamente como um afrodisíaco, milagroso ele não é, perdendo sua ação quando não há jogo sexual, sedução, atração.


O poder da pílula azul foi descoberto há 25 anos aproximadamente, conta o médico urologista e professor há 49 anos dessa disciplina na Faculdade de Medicina (PUC - Sorocaba), Saul Gun. "O citrato de sildenafila estava sendo testado em pesquisa para o tratamento de pressão arterial. Percebeu-se então que ele tinha um efeito colateral, o enrijecimento peniano". A descoberta foi patenteada e a Pfizer conquistou o direito de comercializar o medicamento, chamado de Viagra e que aportou no Brasil em 1998. Em junho de 2010 a patente chegou ao fim no Brasil, abrindo espaço para que outros laboratórios fabriquem e comercializem os genéricos. Saul diz que o Viagra ainda é o mais usado, por ser mais antigo. Mas a verdade é que a invasão dos genéricos nas prateleiras das farmácias está provocando outra revolução, talvez não tão perceptível quanto a que o próprio Viagra produziu quando chegou aos consumidores.


O que se sabe, mas poucos assumem, é que o medicamento passou a ser ingerido com a finalidade, digamos assim de forma um tanto vulgar, mas objetiva, de melhorar performances sexuais. Uma crença, na verdade, errônea, como atestam médicos e psicólogos. O médico Saul explica o princípio do remédio que, simplificando, é um vaso-dilatador e um facilitador de ereções. "O componente, a sildenafila, bloqueia algumas terminações nervosas provocando a vaso-dilatação. As veias se dilatam e assim, vai mais sangue para os corpos cavernosos do pênis. O medicamento também promove o endurecimento por mais tempo".


De acordo com o médico, depois de 40 minutos a um hora de ingerido o medicamento, ele começa a surtir efeito. Tanto o tempo que se leva para acontecer a ereção quanto a duração dela pode variar de homem para homem. Com o remédio, pode se estender de duas a três horas. "É muito raro, mas pode acontecer um endurecimento peniano prolongado. Depois de umas 3 ou 4 horas, o homem pode sentir dor e desconforto, mas se assim continuar, é necessário ir ao médico ou ao pronto-socorro para fazer uma punção peniana, ou seja, aspirar o sangue do local". Rubores e dores de cabeça são outras consequências provocadas pelo remédio.


A principal contra-indicação do citrato de sildenafila é a sua combinação com outros dilatadores. "O uso é proibido para pacientes cardiopatas que façam uso de medicamentos com nitratos. A superdosagem de vaso-dilatadores pode provocar uma parada cardíaca". Também é claro que se recomenda que não o misture com bebida alcoólica. "O importante é frisar que esse medicamento só pode ser indicado por um médico, depois de uma consulta. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a venda nas farmácias sem a prescrição".

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